OSCAR 2026
ou tia Dalila e suas noites hollywoodianas no Humaitá
edição número 60 - newsletter Buteco do Edu
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O GLAMOUR DO TAPETE VERMELHO
Ela se chamava Dalila Geraldo. Havia sido - vejam vocês que antigo! - professora de declamação de minha mãe, de quem era madrinha. Era muito amiga de dona Mathilde, minha avó, muito amiga mesmo (percebam, era madrinha de sua única filha), ela chamava vovó de Tidoca (estou escrevendo e ouvindo sua voz em meus ouvidos). Morava no Humaitá, mais precisamente no Largo dos Leões, e era casada com Edson, um sujeito que merece, só ele, um capítulo à parte que não vou lhes contar hoje. Quero lhe falar sobre Dalila, minha tia Dalila.
Dalila era baixinha, charmosíssima, fumava desbragadamente e tinha uma gargalhada absolutamente marcante - alta, decupada, farta. Havia sido, como lhes disse, professora de declamação de mamãe, uma destacada declamadora que se apresentava pelo Brasil afora para platéias fascinadas por suas atuações.
Era uma mulher de manias, de pequenas obsessões.
Uma delas, e muito antes disso virar modinha, tô falando dos anos 80…, era a noite de premiação do Oscar.
Dalila organizava, ano após ano, festas de arromba no Humaitá.
Juntava os amigos e as amigas - a inteligência carioca, à época, freqüentava seu apartamento - para o frêmito da noite do Oscar.
Hoje, bares e restaurantes organizam a noite do Oscar juntando a escumalha que só se interessa pela festa (modorrenta, sempre foi…) para ~torcer pelo Brasil~. Virou, como quase tudo em tempos de redes sociais e dos influencers, a metástase da humanidade, modinha. Dalila foi vanguarda.
Eu, um homem que cultivo meus fantasmas como um jardineiro de saudades, assistirei à cerimônia hoje evocando tia Dalila e vovó, promovendo uma espécie de gira na sala do Transtlântico Goldenberg.
Em tempo: não vi O Agente Secreto.
O filme é, pelo que vi, ouvi e li ao longo dos últimos meses, bastante controverso: tem quem tenha amado (e quem amou conta isso com ares pernósticos de superioridade intelectual), tem quem tenha odiado (e quem tem coragem de dizer que não gostou é linchado pelo tribunal da internet sem direito a recurso) e tem quem tenha não entendido nada (esses são vaiados e chamados de burro às escâncaras).
Eu não vi.
Mas estarei hoje à noite, diante da TV, com meus fantasmas, torcendo pra que tia Dalila se manifeste.
Até.
UMA DICA DE PLAYLIST
Quero indicar a vocês, meus poucos mas fiéis leitores, uma das playlists que montei no Spotify - Rio de Janeiro - que já conta com 310 seguidores, 68 músicas, 4 horas e 30 minutos de som.
Ela será permanentemente incrementada (e eu aceito sugestões que podem ser enviadas por e-mail!).
Ela está aqui.
A referida playlist deve ser ouvida no modo aleatório e, repito, está longe de estar definitivamente pronta. Assim como eu.
Até.
Podemos continuar o papo (e você pode saber mais sobre mim, nessa exposição permanente que são as ~redes sociais~) no Twitter | no Instagram | ou no YouTube
Dúvidas, sugestões, críticas? É só responder esse e-mail ou escrever para edugoldenberg@gmail.com
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